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Pioneirismo, TV, Televisão, Antena, Parabólica, Transmissão


EMPRESA SANTISTA PRODUZIU PRIMEIRAS PARABÓLICAS E TVS DE CIRCUITO FECHADO DA AMÉRICA DO SUL

Pesquisa e texto: Sergio Willians

Era setembro de 1956. A televisão havia chegado ao Brasil fazia apenas seis anos (a TV Tupi entrou em operação no dia 18 de setembro de 1950). Era uma novidade para poucas pessoas, devido o alto custo dos aparelhos receptores (importados). Assim, alguns empresários santistas, percebendo um futuro próspero neste setor da comunicação, se reuniram com outros empresários do Estado para criar uma empresa fabricasse os equipamentos necessários para o atendimento da futura demanda brasileira, que prometia crescer, e muito. Desta forma nascia a Rede Brasileira de Televisão S.A. (Rebratel), cuja missão era se tornar uma referência nacional de tecnologia eletrônica para o segmento, com linha de produção de aparelhos de TV, transmissores micro ondas e antenas parabólicas. Na diretoria da nova empresa, figuras do calibre de Amador Aguiar (fundador do Bradesco), no cargo de presidente; Giusfredo Santini, dono do Grupo A Tribuna, como vice-presidente; José Saulo Ramos (que veio a ser ministro da Justiça, na gestão do presidente Sarney), como diretor secretario e o famoso chargista Accindino Andrade, o Dino, que era o diretor de patrimônio.

Para estimular o trabalho técnico da empresa, a Rebratel batalhou para instalar, em Santos, uma emissora própria de televisão, o que de fato aconteceu em 1957, com a entrada no ar da TV Santos, Canal 5, na condição de filial da TV Paulista, pertencente às Organizações Victor Costa. O primeiro estúdio foi montado na Ilha Porchat, em São Vicente, mas o resultado foi considerado muito ruim, devido às condições de retransmissão do sinal que vinha da capital. Desta forma, logo depois decidiu-se transferir as operações para as dependências da Rádio Clube de Santos, na Rua José Cabalero, 60, Gonzaga, onde brilhou por quase um ano e meio.

A parte administrativa e técnica da Rebratel ficava no Edifício Rubiácea (Praça dos Andradas), onde eram feitos os testes com os primeiros equipamentos produzidos pela empresa santista e nacional. Um dos pioneirismos ocorridos no espaço foi, por exemplo, a primeira transmissão de TV por circuito fechado da América do Sul, logo implantada no Bradesco por Amador Aguiar, que fez do seu banco o primeiro cliente da Rebratel. Outros clientes surgiram, como a TV e Rádio Clube de Bauru, que encomendou parabólicas e retransmissores para suas demandas.

Porém, o surgimento de outras empresas no Brasil, com aporte de capital estrangeiro, fez com que o sonho da Rebratel fosse paralisado em 1958. Apesar de não ter prosseguido no mercado, a empresa santista deixou uma marca importante, de ter sido a pioneira em tecnologia de transmissão de imagens.

A TV SANTOS

A primeira TV Regional do Brasil nasceu lastreada na programação da TV Paulista, Canal 5, mas mantinha sua grade local, restrita entre 11 e 14 horas. Com poucos profissionais conhecedores da nova tecnologia, a TV Santos “importou” técnicos de São Paulo e do Rio para ajudar na programação local. Os programas jornalísticos não contavam com repórteres de rua. As imagens eram obtidas na noite anterior ou na parte da manhã para serem transmitidas na hora do almoço.

Neste curto período santista, a primeira meia hora era dedicada a desenhos animados. Logo depois vinha um programa esportivo, que contava com os comentários de Aníbal Paulo e dos repórteres do departamento esportivo da emissora. Havia, ainda, um musical e um modesto telejornal, apresentado pelos jornalistas Saulo Ramos e Juarez Bahia. Ao final, ainda havia um pequeno esquete com a participação do radialista Nemézio Prado.

     Parabólicas produzidas pela Rebratel

Equipe de técnicos da Rebratel montando um transmissor.

Equipe da TV Paulista chega a Santos para firmar acordo para a criação da emissora local

Apresentação da Rebratel e da TV Santos em evento.

Teste do circuito fechado nas dependências da Rebratel, no Edifício Rubiácea.

Transmissão por circuito fechado em Santos, a primeira demonstração na América do Sul.  

Transmissão por circuito fechado em Santos, a primeira demonstração na América do Sul. Na imagem, Manoel Nascimento Júnior, proprietário do jornal A Tribuna e o então prefeito de Santos, Antonio Feliciano.

Paulo Ramos ao microfone na primeira transmissão em circuito fechado da América do Sul.  

Fonte:
Memória Santista escrita pelo jornalista e escritor Sergio Willians em 26/2/2016 e publicada no Diário Oficial de Santos

 


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