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OS PRIMÓRDIOS DA AVIAÇÃO EM SANTOS

Pesquisa e Texto: Sergio Willians

Depois que o brasileiro Alberto Santos Dumont fez a humanidade dar um salto no que se refere à conquista dos céus, em 1906, com seu incrível 14-Bis, outros aventureiros surgiram para exaltar o sucesso do pioneiro, como também para contribuir no avanço tecnológico da navegação aérea. Em pouco tempo, o termo aviador passou a fazer parte de uma estirpe de homens que, com sua coragem e audácia, voaram pelos céus brasileiros e encantaram a nossa população.

Santos, cidade vanguardista, não poderia ficar de fora destes primeiros momentos da aviação nacional e recebeu de braços abertos alguns heróis do ar, como o aviador Edu Chaves que, em 8 de março de 1912, protagonizou o primeiro voo de um brasileiro pelos céus de sua terra natal, decolando com um monoplano modelo Bleriot, de 25 cavalos, das areias da praia do Gonzaga, voltando ao mesmo lugar alguns minutos depois. No dia seguinte, que ficaria para a história, ajudou o famoso aviador francês Roland Garros (o mesmo que dá nome a um dos torneios de tênis mais importantes do mundo) a fazer a primeira viagem de avião entre Santos e São Paulo, a pioneira no Brasil. Tal aventura havia sido estimulada pelo Governo do Estado de São Paulo, que oferecera um prêmio de 30 mil réis para o piloto que conseguisse vencer a distância entre a capital e o litoral, passando pela Serra do Mar, em viagem de ida e volta.  Roland Garros, famoso na Europa, onde faziam voos de exibição, aceitara o desafio de correr o reide aéreo, o primeiro realizado no Estado de São Paulo.

Apesar de alguns imprevistos e ajuda mútua, ambos concluíram a missão, conseguindo pousar na ida, nas areias da praia do Gonzaga, e na volta, nos verdejantes campos do Parque Antarctica.

Edu Chaves

Assim como Santos Dumont, Edu Chaves também encantou os franceses com as suas proezas aéreas, tornando-se o primeiro aviador a fazer uma travessia noturna, em 31 de outubro de 1911, conquistando, assim, o “Prix des Escales”.

Pioneiro no Brasil também sobrevoou Santos

O voo de Plauchut

O primeiro voo realizado no Brasil havia sido feito por um francês, Edmon Plauchut, que era mecânico de Santos Dumont em Paris. No dia 2 de outubro de 1911, o aviador decolou da praça Mauá (Rio de Janeiro), sobrevoou a avenida Central e acabou caindo no mar, de uma altura de 80 metros, antes de chegar à Ilha do Governador. Escapou ileso. Alguns meses depois, em 1912, depois do reide paulista, Plauchut fez uma viagem pelo litoral de São Paulo e acabou sobrevoando a cidade de Santos, sendo flagrado por um fotógrafo em pleno voo.

Na imagem, vê-se o hotel Parque Balneário, de madeira, em estilo inglês, antes de se transferir para outra área, e o bonde aberto da linha 2, com reboque, na ligação São Vicente-Santos via praias.

As primeiras linhas aéreas

Algum tempo depois das primeiras experiências aeronáuticas no mundo, assim como no Brasil, a aviação descobriu, em seus momentos iniciais, que seria bastante eficiente na entrega de correspondências, sobretudo encomendas, que poderiam chegar extremamente mais rapidamente do que pelos meios que a antecederam (navios, trens). E como nesses primeiros momentos da aviação não havia aeroportos, o jeito foi encontrar um terreno apropriado e abundante para tal finalidade. Resolveram, então, pousar na água. Daí surgiu a ideia do hidroavião, cujo primeiro voo aconteceu em 1910 na França, pelas mãos do engenheiro e aviador francês Henri Marie Léonce Fabre, a bordo do Le Canard, sua invenção.

Assim, antes do surgimento das aeronaves para pouso em terra, Santos, por ser a segunda cidade do Estado, por conta do porto e pela proximidade com a capital paulista, se tornou um dos principais pontos de origem e destinos das rotas aéreas atendidas por hidroaviões.

A primeira linha a passar por Santos foi a administrada pela empresa de origem alemã Serviços Aéreos Condor que, em novembro de 1926, promoveu um voo experimental com o hidroavião alemão Dornier Wal, ligando Buenos Aires ao Rio de Janeiro.  Dois anos depois era a vez da francesa Compagnie Génerale Aéropostale passar por Santos, como escala do serviço postal que saia do Recife com destino a Buenos Aires.

Mas a empresa que realmente conquistou a simpatia dos santistas foi a New York, Rio and Buenos Aires Line Inc. (Nyrba), que, a partir de 1930, começou a realizar, com meia dúzia de hidroaviões, a ligação entre os Estados Unidos e a Argentina, passando por várias cidades brasileiras. Os santistas ficaram bastante honrados com a homenagem da empresa, que batizou, no dia 8 de maio daquele ano, uma de suas aeronaves, a de prefixo P-BDAE, com o nome “Santos”. Foi um dia de festa na Ponta da Praia, onde o hidroavião “santista” divertiu a população com longa demonstração de habilidade aérea. As aeronaves da Nyrba transportavam correspondências e passageiros.

As primeiras linhas aéreas regulares de Santos

Viajar de avião, hoje, para os santistas, basicamente significa subir a Serra do Mar por estrada e tomar uma aeronave nos aeroportos de Congonhas ou de Cumbica, em Guarulhos. Há muitos anos que a região luta para ter seu próprio aeroporto civil metropolitano. Mas essa situação nem sempre foi assim. Santos teve um aeroporto com movimento regular de passageiros a partir dos anos finais da década de 1940. Nesta época a aviação civil brasileira dava um enorme salto, com a compra de dezenas de aeronaves norte-americanas remanescentes da Segunda Grande Guerra, adquiridas a baixo custo e em boas condições de financiamento, o que permitiu o surgimento de inúmeras empresas aéreas. No entanto, a maior parte delas funcionava com estrutura econômica precária, o que não impediu, porém, que novas operações de voos domésticos fossem implantados em várias regiões do país.

A primeira rota aérea regular a operar na cidade de Santos, utilizando a Base Aérea como campo de pouso e decolagem, pertenceu às Linhas Aéreas Wright que, em 1 de abril de 1947, empregou dois bimotores Lockheed Hudson L-18 Lodestar, excedentes de guerra, em voos que partiam do Rio de Janeiro. Esta linha, porém, não sobreviveu por muito tempo, já que a empresa acabou sendo comprada por outra que não se interessava pela rota litorânea.

Dois anos depois, em 7 de março de 1949, surgiria uma linha que marcaria época na cidade santista: a rota São Paulo-Santos-Rio de Janeiro, operada pela Viação Aérea São Paulo (VASP), considerada uma das empresas mais sólidas do setor no Brasil. O voo de Santos até a capital do país à época durava cerca de 1 hora e 15 minutos. Relatos curiosos deste período dizem que o avião voava a 240 quilômetros por hora e permitia ao piloto abrir a janela para resfriar a cerveja, algo impraticável hoje. Os santistas acostumaram-se a utilizar a ponte aérea Santos/Rio de Janeiro, principalmente os empresários.

Nos anos seguintes outras rotas foram sendo incorporadas à Base Aérea de Santos, como as que pertenciam à Empresa de Transportes Aéreos Catarinense S/A (TAC), que fazia voos diários para Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre .

Em 1963 houve uma paralisação dos voos civis na Base Aérea, só retomados em abril de 1975 com linhas oferecidas pela Top Táxi Aéreo que, utilizando um bimotor Piper Navajo Chieftain, mantinha voos para o Rio de Janeiro. No ano seguinte, a Top se associou à Viação Aérea Rio Grandense (Varig), dando origem à Rio Sul Linhas Aéreas S/A, que operava somente em voos regionais, iniciando-os com uma frota de oito aviões. Um deles fazia a ponte aérea Santos-São Paulo-Santos-Rio de Janeiro, com avião Bandeirante de 16 lugares.

Os voos da Rio-Sul pela Base Aérea não vingaram por muito tempo e ainda na década de 70 foram cancelados. Desde então, Santos e região deixaram de participar como rota do sistema aéreo civil nacional.  

Fonte: Almanaque Santista, um boletim de curiosidades do Instituto Histórico e Geográfico de Santos
 
Apoio: Prefeitura de Santos, Fundação Arquivo e Memória de Santos e Sistema A Tribuna de Comunicação.

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